June 06, 2005
The penguins are coming


Books do furnish a room!
Se a gente resolvesse aos 17 anos, no limiar da vida adulta, fazer uma lista comprétinha que nem a gaúcha Karla, 19, sobre as coisas que temos certeza nos acompanharão vida afora, 20 anos mais tarde quantas delas poderiam ser lidas sem despertar acesso de riso? Pois é. A minha fica resumida a dois itens: sorvete e livros da Penguin –se bem que agora eu até tenha dinheiro pra comprar livros menos baratos.
Este ano, a Penguin completa 70 anos de competência a preço acessível, e comemora com uma série de 70 livros fininhos e com capas como sempre impecáveis trazendo a fina flor dos autores que compõem seu descomunal catálogo, a 1,50 libra cada. De D. H. Lawrence a Alain de Botton, passando por Plum, Steven Runciman, Jamie Oliver e Flaubert, livro pra todo gosto (e a caixinha com os 70 sai por 70 libras no site da Penguin, link acima).

Penguin mobile library, circa 1950s
Além da série comemorativa, a editora está lançando também Penguin by Design, de Phil Baines, uma coletânea e estudo do design gráfico das capas da Penguin em seus primeiros 70 anos (cuja capa, aliás, podia perfeitamente ser uma foto da minha estante), e Penguin Special, biografia de Allen Lane, fundador da editora, por Jeremy Lewis.
Quando Lane decidiu criar a Penguin, em 1935, seu projeto era vender bons livros ao preço de um maço de cigarros, e é mais ou menos isso que a editora continua fazendo, passados 70 anos. Livro da Penguin é garantia de edição cuidadosa, revisão impecável, os melhores tradutores do mercado -no caso de originais estrangeiros-, notas informativas e completas, capas no mínimo simpáticas. E tudo isso por metade do preço que eu costumava pagar por tradução brasileira podre, capa horrenda, completa ausência de notas, índices excluídos para economizar papel.
Não faço nem idéia de quantos escritores conheci por graça da Penguin, mas minhas estantes continuam lotadas da simpática ave. A idéia de Lane, que muita gente acreditava fosse o dobre de finados para o mercado editorial britânico, na verdade colocou muito mais livros ao alcance de muito mais gente em muito mais países. Sem a editora, eu seria ainda mais burro. Feliz aniversário, pingüim.