May 10, 2005

 

No Dia do Orgasmo, vestido de cocô


The way of all causes

Desperate housewife: Maria Bruner, 38, preferiu ir em cana por três meses a quitar uma multa cujo valor inicial, US$ 100, terminou subindo para US$ 5 mil por falta de pagamento. O gualda que realizou a detenção contou que Frau Bruner agradeceu muito e disse que melhor três refeições por dia e chuveiro quente na prisão do que marido vagabundo e moleques ranhentos em casa. Mas a mamata pode durar pouco, porque o marido desolado está juntando grana pra tirar Maria do xilindró. Vou pedir parecer de especialista sobre as chances de Frau Bruner de apelar para ficar presa até os filhos saírem da faculdade. (É o que eu faria.)

Feeling shitty: James Skwarok (nomes, como não cansa de repetir Uncle Filthy, são destino) se vestiu de cocô para participar de uma audiência com o governo da província canadense da Colúmbia Britânica, mas foi barrado na porta. O odorífero e sugestivo traje era um protesto contra o esgoto despejado diretamente no Pacífico. Eu posso até discordar da causa do sêo Skwarok, mas registrei a notícia aqui para minha imensa legião de leitores porque, yo, tem coisa mais presciente do que ir conversar com o governo vestido de cocô?

Sex on the beach: Na diagonal oposta do Pacífico, um sujeito teve o seu plácido passeio a beira-mar rudemente interrompido quando encontrou na areia um bingulim, acompanhado dos demais pertences, aparentemente decepado. Convocada, a polícia investigou “a evidência” e concluiu que não era estrovenga, não, mas uma forma de vida marinha. A única coisa que atrapalha o final feliz é a explicação do porta-voz da polícia sobre os métodos investigativos dos bravos xerloques neozelandeses: “Presumo que eles tenham cutucado, espetado e dado uma cheiradinha na coisa, para descobrir a verdade”. Cada país tem o CSI que merece. (Se fosse no Brasil, o Badan Palhares atribuiria a genitália a Mengele.)

Esperantina, Esperantina, Esperantina de Jesus: Adoro encontrar notícias sobre o meu torrão natal na imprensa do Primeiro Imundo, especialmente quando se trata de eventos como o feriado oficial do Dia do Orgasmo, instituído pelo prefeito Felipe Santolia, de Esperantina, Piauí, no dia 9 de maio. O prefeito alega que a cidade é cheia de mulé mal-comida*, e o feriado foi celebrado com uma apresentação de Os Monólogos da Vagina e debates entre sexólogos de todo o Brasil. Dude, se o objetivo era PROMOVER orgasmo, não dava pra ter escolhido alguma coisa menas broxante, tipo visita oficial do Colin Farrell? Com essa agenda, as mina toda vão continuar na esperantina. Update: Mlle Malgardée, correspondente extraordinária da NoronhaNews, descobriu em esforço de reportagem que maio é o mês da masturbação. Melhor avisar as mina de Esperantina.

My name is Christ, Jesus Christ: Peter Robert Phillips Jr. recorreu à ociosa Justiça dos Estados Unidos diversas vezes pra conseguir passaporte, cartão de seguro social e carteira de motorista válida para Washington, todos os documentos portando seu novo nome, Jesus Christ. Agora, de mudança para a Virgínia Ocidental, teve recusado pelo Detran local o pedido de uma carteira de motorista com o nome novo. Uncle Filthy, sujeito notoriamente ressabiado, tende a desconfiar de gente que acha que é Jesus Cristo. Por outro lado, mudar voluntariamente para a Virgínia Ocidental é prova de santidade -mas deve haver jeito mais fácil de fazer com que as mulé digam Omygod. (Talvez comprar casa em Esperantina?)

Por que eu leio o Kama Dutra: Gore Vidal escreveu que, pelo critério de freqüência, o ato sexual mais “normal” é a masturbação (e espero que a mão peluda não tenha atrapalhado a datilografia do venerado homem de letras). No final de semana passado, uma convenção de sexólogos nos Estados Unidos se reuniu para discutir, entre outras coisas, atos sexuais impopulares ou menos freqüentes, entre os quais a sempre injustiçada zoofilia e a asfixia erótica (a não erótica é conhecida como “gravata”). Consultada a respeito da pobremática, uma sábia ex-namorada –erguendo as sobrancelhas de maneira significativa- explicou que não existe ato sexual impopular; existe parceiro impopular. Let’s not name names, shall we?

* E esse negócio de garantir osgarmo pra mulé um dia por ano abre um péssimo precedente. Daqui a pouco elas vão querer usar calça comprida, trabalhar fora e dirigir.

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