April 07, 2005

 

Turcos, chineses e a lei da gravidade


Pergaminho arquitetônico turco

Qualquer pretexto pra ir a Londres é um bom pretexto, mas a exposição da Royal Academy of Arts sobre as civilizações turcas no período 600-1600 é sem dúvida o melhor em muito tempo. Com mais de 350 peças (entre as quais as portas entalhadas de harém criadas pelo arquiteto Sinan para o sultão Murad III, em 1578), e um catálogo de 496 páginas obtido por Uncle Filthy de maneira maliciosa e sorrateira, a exposição, alas, se encerra em 12 de abril, e eu num consegui ir. Se você já sentiu aquele impulso surdo de sair migrando a cavalo, saquear umas cidades, degolar uns infiéis, brandir um iatagã, aproveite para pelo menas visitar o site e dar uma bizoiada, enquanto ainda está online. Vale muito a pena.


Mocinhas discutindo filosofia

Enquanto isso, no Forum Grimaldi, em Mônaco, turistas e monegascos podem se consolar quanto à morte daquele lucky bastard visitando uma mostra com 120 trabalhos de Helmut Newton, fotógrafo morador de Mônaco morto no ano passado, organizada por sua viúva, June Newton. Pra quem se acostumou a ver os trabalhos fetichistas e as mulé pelada que caracterizam a obra do inventor da gravidade, a exposição se concentra no aspecto moda de sua carreira, com fotos em geral coloridas e exibindo mulé de roupa. (Se bem o espírito fetichista ocasionalmente triunfe e o leve a colocar uma modelo de coleira, fotografada de quatro numa cama, em catálogo para a Hermès.)


Caixa para sutra, com detalhes em ouro

Já no prosaico e entediante Met, a galeria de arte decorativa chinesa recebe uma exposição sobre as artes no reino de Zhu Di (1360-1424), imperador da era Ming que se tornou conhecido pelo nome dinástico Yongle. Depois de ascender ao trono, em 1403, Yongle assumiu o papel de patrono das artes, e promoveu contatos culturais entre as culturas chinesa, indiana, tibetana e japonesa, além de encomendar a produção da primeira grande enciclopédia da China (e do mundo), que viria a ter mais de 11 mil volumes. Mas a empreitada que mais me atrai, no reino de Zhu Di, são as seis primeiras das sete grandes expedições de navegação do almirante Cheng Ho –viagens de descobrimento, exploração, diplomacia e comércio realizadas por frotas de entre 50 e 100 navios, quase um século antes de Colombo. (Infelizmente, nada sobre elas na mostra.) A exposição fica em cartaz até 10 de julho e o museu (5ª Avenida com 82) está aberto das 9h30min às 17h30min (fecha segunda), e até as 21h na sexta e sábado. Ingresso a US$ 15. (Uncle Filthy entra como senior citizen e paga 10, though.)

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