April 14, 2005

 

A rose, by any other name


"...that which we call a rose
By any other name would smell as sweet"

Lendo notícias online dia desses, fui informado de que Rossano Maranhão continuaria à frente do Banco do Brasil. Tá bom, o cara não tem culpa do nome, e pode ser até que o “Rossano” seja nome de família e que o prenome do sujeito seja alguma coisa inócua que nem “Antônio”. Mas, em se tratando do Brasil, odds are que ele chame mesmo Rossano. Na mitologia pessoal do Uncle Filthy, as mina chamada Rossana é tudo... Deixa pra lá. Mas que é perigoso deixar um cara chamado Rossano no comando do maior banco do país, isso é. Porque um prenome desses é evidentemente causa de profundo trauma de infância –cês já imaginaram ser o único disinfiliz chamado “Rossano” em uma escola com 50 Pedros, 50 Rafaéis e 50 Tiagos?

Antes de alterar meu nome no cartório pra Fudílson Noronha, nunca tive esse tipo de pobrema. Fui batizado com um dos nomes mais comuns em minha geração, se bem o(s) sobrenome(s) sejam complicados. Mas sou testemunha do sofrimento de meninos amaldiçoados com nomes como Roniel, Waldomir, Sanderlei, Emmanoel. Se o Brasil fosse civilizado quinêimq os Estados Unidos, esses meninos oprimidos na infância se vingariam à maneira apocalíptica, fazendo chacina na escola ou subindo a um campanário e fuzilando uns 35 Jacks, Bobs, Maries e Susans. Mas não: os Ranulfos e Inocêncios brasileiros sempre dão um jeito de ir parar no governo e extrair vingança muito mais cruel e duradoura.

Meus leitores portugueses decerto me corrigirão se eu estiver enganado, mas parece que em Portugal meu avozinho, como na Itália, durante muito tempo vigorou uma norma sob a qual crianças só podiam ser registradas com os nomes constantes de uma lista aprovada pelas otoridad. Nêguinho chega ao cartório determinado a batizar o herdeiro com nome como Wandergleyson, Upanixádio ou Deutério e o intransigente notário faz que não, aponta para o livro e propõe: “Que tal João Alfredo?” É uma providência eminentemente sensata.

Em um de seus raros momentos de mancada, o pardo imortal da Avon diz que uma rosa, sob qualquer outro nome, teria olor igualmente doce. Não fica bem a um reles Fudílson discordar de Shakespeare, mas se rosa chamasse cocréti a veia puética dos coleguinhas de profissão seria muito mais difícil de encontrar coa agulha. (Ainda que verso clássico como “o cocréti no cume nasce” tenha lá seus méritos.) Pra quem não acredita no poder dos nomes, yo, tenta presentear a namorada com um buquê de rododendros. Se vocês querem desrespeitar autoridades como Machado de Assis, Philip Larkin e Uncle Filthy e fazer filho mesmo assim, prestenção: João pode ser prosaico, João pode ser comum, mas nenhum menino quer responder chamada na escola quando a professora pigarreia, lê duas vêiz e termina enunciando “Tiglat-Pileser?”

|

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?