April 21, 2005
I've seen the elephant,
and drank it too

"I could easily learn to prefer an elephant to any other vehicle..."
A cerveja mais popular da Tailândia porta a marca Beer Chang –“Cerveja Elefante”- e a Thai Beverages, fabricante do very aptly-named product, pretendia abrir seu capital na bolsa de Bancoc. Um protesto de dois mil monges budistas, mês passado, fez com que a bolsa reconsiderasse a decisão, e recentemente surgiu o anúncio de que a inclusão das ações no pregão seria adiada sine die, ainda que Charoen Sirivadhanbhakdi, dono da Thai Beverages, seja chapinha do primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra. Antigamente, monge budista costumava atear fogo às vestes em protesto contra a ditadura católica de Ngo Dinh Diem no Vietnã do Sul. Agora, eles batem tambô contra a inclusão da Cerveja Elefante entre as ações cotadas em bolsa –ainda que a cerveja mesma continue a ser vendida normalmente. “Ponha uma tromba na garganta”: taí um slogan que eu proporia, si fosse publicitário.
Já no Camboja, cujos monges budistas são chegados a uma cervejinha e a xavecar as mina da barraquinha que vende a dita cuja, como sabem os meus três fiéis leitores (viu, Patricia?), a cervejaria tcheca Budejovicky Budvar venceu o mais recente round de sua batalha contra a Anheiser-Busch, fabricante das cervejas Budweiser. O grupo tcheco, olha só, se localiza na cidade de Budweiser (Budvar) e vende cerveja com esse nome desde o século XIV; os americanos registraram a marca Budweiser no mundo inteiro, porém, e querem impedir os tchecos de usá-la. No Camboja, a corte suprema deu vitória à Budejovicky Budvar, que pode continuar vendendo cerveja com a marca Budweiser no país. Por mais que os monges cambojanos bebam, though, seu consumo representa marromenos 0,03% do mercado mundial de cerveja. Fico imaginando o dia niquiq a Nabisco registrar a marca “Piracicaba” –lá embaixo, na Brasília, o pobre vendedor reduzido a entoar “pamonha, pamonha, pamonha do, er, hum, lugar onde o peixe pára”.
Falando ainda em monges budistas, morreu hoje –aos 100 anos- o escritor japonês Fumio Niwa. Filho de um monge budista, ele estudou para se tornar monge mas abandonou a religião quando se formou na universidade. Era um dos mais famosos e queridos escritores japoneses, e The Buddha Tree, uau: wish I could write half that well. Ele tem mais um ou dois títulos traduzidos em francês, e sua bibliografia em idioma que leio pára por aí. Pena, porque escreve ainda mais miló do que Ozu dirigia. (Niwa, aliás, foi correspondente de guerra junto à Oitava Frota, do almirante Gunichi Mikawa, nas Ilhas Salomão, em 1942/3, e se alguém sabe de livro "de guerra" dele traduzido pra qualquer idioma com letrinha “das nossa”, agradeço por demais.)
Agora eu vô ali tomá uma Cerveja Elefante e tascá fogo na rôpa de uns monges budistas. Avisa Sahib que de tarde eu vô num vim.